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24/04/2020 10:35

Com jogo agressivo e impositivo, Calderano define estratgia para Tquio 2020: Melhorar o que j fao bem

A maioria dos atletas tem dificuldade em responder à seguinte pergunta: “quem te inspira?” Isso pode ser explicado pelas diversas variáveis a serem consideradas, como personalidade, profissão e grandes feitos. Mas isso não se aplica ao mesatenista carioca Hugo Calderano, 23 anos, que voltou ao sexto lugar do ranking mundial e ao quarto do ranking olímpico na lista mais recente divulgada pela ITTF. Como tudo na história dele, que nem se lembra mais como era a vida antes do esporte, escolher quem serve de exemplo também está ligado ao esporte: o pivô norte-americano Shaquille O’Neal, ouro nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996 e quatro vezes campeão da NBA.

“Tem vários atletas que admiro muito no esporte, que me inspiraram ou ainda inspiram. Um que sempre cito é o Shaquille O’Neal, pelo jogo bastante agressivo e também pela forma como ele dominava os adversários na quadra. Isso é o que tento fazer na mesa”.

Se Calderano tenta dominar os adversários durante os jogos, é possível afirmar que a vida dele é dominada pelo tênis de mesa. “Não lembro quando foi a primeira vez que vi uma mesa de ping-pong. Tínhamos uma no sítio em Teresópolis e brincava desde os dois anos. Praticava outros esportes quando era criança, mas desde cedo comecei a levar o tênis de mesa a sério. Então, nem consigo lembrar como era a minha vida antes disso”.

Apesar de praticar tênis de mesa desde criança, Calderano não conseguiu atingir tão cedo um nível técnico semelhante ao dos atletas mais tradicionais do esporte, como China e Japão. Isto exige o uso de uma estratégia diferente para se manter entre os melhores do mundo: manter a preparação mental e física sempre em dia, passando muitas horas na mesa e sendo criativo.

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“Tenho que correr um pouco atrás na questão da técnica com os asiáticos. Eles começam a treinar desde muito cedo e tem uma base muito forte. No tênis de mesa é muito importante o treinamento, a repetição, para fixar a técnica e chegar perto deles. Mas acho que você pode tentar compensar de outras formas, como a parte mental e a física”.

“Sempre procuro ser bem criativo, inovar nos golpes. Mas acho que o principal fator para evoluir é melhorar as coisas que já faço bem. Isso só vem com muito treino, horas na mesa e dedicação. Essas são as chaves para eu continuar evoluindo e ganhar dos melhores atletas”.

Na adolescência, o mesatenista chegou a ficar um período sem praticar o esporte pela ausência de competições estaduais. Mas o bom desempenho em torneios nacionais o levou a trocar o Rio de Janeiro por São Caetano do Sul, em busca de evolução competitiva, na primeira de muitas mudanças de cidade. A mais difícil delas segue na memória.