Política

14/06/2020 14:10

Mauro Mendes lava as mãos, diz chefe do Ministério Público de MT

(GD)

O chefe do Ministério Público, José Antônio Borges, acredita que o governador Mauro Mendes (DEM) quer evitar desgaste político ao não impor um decreto estadual com medidas restritivas mais contundentes para conter o avanço da covid-19.  

‘O governador está lavando as mãos. Se ele baixar um decreto meramente sugestivo ou orientativo, não tem razão para publicar. É melhor não fazer nada’, disse Antônio Borges.   

Para o promotor um decreto impositivo obrigaria as prefeituras seguir as determinações. ‘Agora um decreto orientativo faz com que cada município decida com suas pressões econômicas. Aí uma cidade fecha, e a do lado não fecha, por exemplo. Foi o que ocorreu até agora e não surtiu efeito’.   

José Antônio Borges explicou que as ameaças contra promotores já vêm ocorrendo há algum tempo e que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do MP está acompanhando e adotando medidas de segurança. Porém, acredita que o Estado deva acompanhar. 

‘Está nesse nível. Mas isso poderia ser evitado se houvesse um decreto estadual com todos os parâmetros estabelecidos, como tem no restante do país, onde governos estaduais assumem a responsabilidade dos municípios conforme a faixa que a pandemia ocorra. Assim evitaria esse embate direto entre os promotores com os empresários e comerciantes que acaba influenciando isso’. 

PGJ alerta sobre ameaças

O procurador-geral de Justiça (PGJ), José Antônio Borges, alertou o governador Mauro Mendes (DEM) sobre a possibilidade de conflitos entre manifestantes que pedem a flexibilização das medidas restritivas em diversas cidades e autoridades públicas dos respectivos municípios.   

Em mensagem encaminhada diretamente ao governador, o chefe do Ministério Público de Mato Grosso solicitou que o Estado baixe decreto impositivo reafirmando as medidas restritivas para conter o avanço da contaminação do novo coronavírus, que tem aumentado nos últimos dias e colapsando o sistema de saúde.   

‘Só peço que o senhor oriente e coloque a Polícia Militar de prontidão diante de levantes que podem ocorrer nos próximos dias. Vamos agir em defesa da vida pedindo isolamento social e restrições nas atividades econômicas’, diz trecho da mensagem que A Gazeta teve acesso.  

A mensagem foi encaminhada com alguns áudios que circulam em cidades onde prefeitos e gestores temem um levante social contra suas administrações. O prefeito de Campos de Júlio (553 KM a noroeste de Cuiabá), José Odil (PP), encaminhou um áudio aos promotores de Justiça de Comodoro, pedindo ajuda para manter as medidas restritivas.   

‘Se o senhor vir aqui e falar na rádio. Se participar da reunião, a gente une forças. Estou te implorando para vir aqui. Porque vou dizer da fraqueza de um prefeito. Houve aqui um ato de covardia. Nós não tínhamos segurança, não tínhamos policiamento para fazer o enfrentamento e poderia ter sido uma tragédia muito pior’, afirmou.   

 A declaração ocorreu após uma manifestação na semana passada após o prefeito ter fechado atividades econômicas não essenciais e restringiu a venda de bebidas alcóolicas, depois de 10 casos confirmados da covid-19.   

Em Chapada dos Guimarães (67 KM ao norte de Cuiabá), um comerciante sugeriu que, caso a prefeita Thelma de Oliveira (PSDB) não ceda à pressão da manifestação que ocorreu neste sábado, eles usem da força para reabrir o comércio.   

‘A gente unido é muito forte. Vamos fazer uma manifestação pacífica. Concedido, beleza, vamos trabalhar e cada um cuidar do seu comércio. Agora não concedido, tipo, a gente tem mais força que um promotor. Um promotor sozinho não tem capacidade de tirar 300 comerciantes de uma cidade. Agora 300 comerciantes têm capacidade de tirar um promotor da cidade, uma prefeita da cidade. Acho que estamos indo pro lado da paz, mas...’, diz.   

Chapada decidiu fechar o comércio não essencial a partir da próxima segunda-feira (15), visando conter o avanço da covid-19 no município, que conta com 18 infectados e duas mortes.   

Em Mato Grosso, algumas cidades já decretaram lockdown, como Confresa (1.160 KM a nordeste da capital), e toque de recolher, como em Cuiabá, para conter o avanço da pandemia.   

Em algumas regiões a falta de leitos de UTIs já é realidade. As medidas visam conter a lotação no sistema de saúde que já está entrando em colapso com quase 70% de ocupação dos leitos de UTIs no Estado inteiro.


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